Pensar sob a luz da ótica múltipla. Ver os mesmos fatos sob inúmeros pontos de vista e conhecer outros pontos de vista sobre um mesmo fato, por mais banal que este seja... É objetivo deste BLOG, adquirirmos um Olhar Plural, que é justamente discutir o que for, para aumentar o alcance de nossa visão de mundo. Afinal, cada visão é provida de uma mistura complexa de virtudes e limitações. Assim, as limitações do raciocínio de uns, são supridos pela virtude dos de outros e vice-versa. Com isso, forma-se o que chamamos de Olhar Plural. Cuidado: a luz da nossa própria razão, as vezes é tão forte que nos ofusca, tornando-nos cegos.

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quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Comportamento em grupo (parte 2)

Bom, pensei bastante, parece que os ingleses tinham uma parcela de razão quanto ao resultado da pesquisa sobre comportamento em grupo, pelo menos no que tange a um pedaço do mundo chamado Alemanha, na época do nazismo. O que ocorreu, de longe, é uma bela amostra dos resultados expostos na entrevista. O tratamento dispensado aos judeus foi adotado pela grande maioria dos, ditos, alemães e aqui surge o problema. A grande maioria adotou o comportamento anti-semita extremado, ou seja, nem todos o adotaram. No livro A menina que roubava livros, o autor colocou em 90% o percentual de alemães que idolatravam o nazismo, o restante simplesmente só se "ferrou", foram contra abertamente e se ferraram muito ou simplesmente não se filiavam ao partido e se ferravam com a intolerância de pensarem diferente, não arrumar trabalho formalmente e essas coisas de regimes totalitários.
Não vou me aprofundar como fiz da primeira vez, porque a intenção é a seguinte: a grande questão do mundo hoje é lidar com o que é politicamente correto e o bom senso, o meio ambiente, o cigarro, a política etc. Quanto ao meio ambiente penso que as coisas mudaram (pra melhor), os políticos pensam milhões de vezes antes de construir hidrelétricas e usar o argumento do "é um investimento de 1 bilhão de reais que compensa qualquer dizimação de florestas e animais". O bom-senso sempre foi e sempre será o inimigo número 1 das escolhas certas. O bom senso é pensamento de grupo, já vem pronto, por isso, é bom ter muito cuidado... O bom senso alemão matou milhões de judeus e russos (em homenagem ao Oscar).
Eu me desvinculei, o que gostaria de ter passado é que a exceção parece ter sido a melhor escolha para aqueles que a fizeram, não sei você, mas eu não dormiria se soubesse que a cada minuto 200 pessoas têm sua vida ceifada porque o orgulho do povo alemão fora ferido e eu sou uma engrenagem disso tudo. O mesmo vale pros dias de hoje em todo e qualquer assunto, de assistir ou não Independence Day (pior filme do planeta) à jogar uma lata de cerveja num rio perto de sua casa, de ver um filme iraniano (com um gordão em cima duma moto metade do filme) à lavar o carro 2 vezes por semana, de tomar vacina em épocas de suspeita de febre amarela à tomar as vacinas nos prazos corretos...

sábado, 12 de janeiro de 2008

Comportamento em grupo

Assisti um documentário da BBC na Record News (que a cada dia me surpreende sobremaneira) sobre terroristas: o que os fazia cometer os atos suicidas que tanto prejudicam nosso mundinho ocidental? Estudaram suas vidas, o meio, classe social, e não chegaram a nenhuma conclusão, ou seja, alguns trabalhavam, outros eram universitários, uns eram ricos, outros pobres e alguns de classe média. Nenhum era violento, eram calmos, eram, em suma, cidadãos comuns, como eu, você e todo mundo canta junto! Partiram então da lógica do grupo, ou seja, uma vez dentro a individualidade é anulada em prol de um objetivo maior.
Mostraram então pesquisas de décadas atrás sobre o comportamento de um indivíduo quando imerso num grupo. O grupo era composto por atores e apenas um não sabia o que se passava. Então um cientista fazia perguntas óbvias do tipo: Qual o traço igual ao apresentado na outra folha? O cidadão que não sabia de nada, na primeira pergunta respondeu corretamente mas o grupo, unanimemente, escolheu uma resposta errada. Na segunda pergunta o cidadão, ao invés de responder corretamente, acompanhou a escolha do grupo, mesmo sabendo estar errado. Na quarta pergunta ele foi o primeiro a responder e bingo! Ele respondeu errado SOZINHO! Perplexo ele continuou a responder errado, conforme o grupo. A explicação dos psicólogos foi que as pessoas tem que se sentir amadas, não podem desapontar o próximo, são empáticas e fazem qualquer coisa pra isso e blá blá blá. Esses ingleses burros sempre se esquecem que uma pesquisa com INGLESES só serve como base para explicações de comportamento INGLESES e olha lá, que o que não faltam são exemplos de generalizações incorretas. Foucault é bom divisor de águas quando o assunto é generalização, ele reclamava que faltavam monografias a respeito de presídios porque o que geralmente ocorre são trabalhos sobre toda uma instituição carcerária, isso não funciona dizia ele. Microfísica do poder, ou seja, cada grupo tem sua forma de agir e pensar e, para se chegar a algum tipo de síntese, só estudando o comportamento de cada um isoladamente... A história como base, o presente como firmamento.
Após a análise do comportamento em grupo, o documentário tentou descobrir porque aquelas pessoas aceitavam tranquilamente se matar. Então, mostraram uma pesquisa de décadas atrás. A pesquisa consistia em um professor, sem saber de nada, fazer perguntas a alguém que, a cada vez que errasse, recebia um choque e esse choque, a cada erro, tinha sua voltagem aumentada. No caso, o alguém que respondia as perguntas era um ator que não levava os choques mas o professor não sabia pois ficava sozinho numa sala. O professor seguia dando os choques mesmo com o ator soltando gritos, ameaças e tudo mais. Quando o ator parou de gritar o professor começou a suar frio mas continuou a fazer perguntas e dar os choques (estava a 300V no caso, suficiente pra matar alguém). Ele pergunta se deve continuar com as perguntas, dizem sim, então ele pergunta se deve continuar a dar choques e também, sumariamente, respondem sim. Acreditem se quiser, aquele inglês maluco continuou a aplicar os choques em alguém que supostamente teria desmaiado ou morrido. Eu não lembro qual foi a conclusão que se chegou quanto a isso, mas na minha opinião esse inglês era um nazista...
A conclusão geral foi que: uma vez inserida no grupo, a pessoa acata as ordens sem problema nenhum ainda mais com a vontade de não desapontar seus colegas. É muito fácil não fossem as guerras, as invasões, o domínio econômico, a imposição cultural, os embates religiosos, os embargos comerciais, a prostitucionalização da vida de quem é dominado...

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Brasileiros

Brasileiros tem um tipo muito singular de personalidade. Pelo menos no interior do país inteiro, se você cair da bicicleta, se ralar todo, e várias pessoas estiverem olhando, pouquíssimas vão rir (geralmente adolescentes ou crianças) as outras vão correr em sua direção para ajudá-lo, é sempre assim. Também no interior, quando o ônibus está lotado, os sentados sempre dão lugar aos idosos e mulheres com crianças de colo, eles simplesmente se levantam e vão para os fundos. A mesma coisa acontece na estrada ou em acidentes, sempre ajudam de uma forma ou de outra. No entanto, são esses mesmos brasileiros que cobram R$ 5,00 por uma caneta Bic preta na entrada dos concursos da CESPE (que, sabe-se lá porque, exigem somente canetas pretas transparentes nos seus gabaritos), são esses os mesmos brasileiros que cobram R$ 1,00 por uma caixa de fósforos e R$ 10,00 por velas nos dias de visita aos cemitérios (sem falar na inflação das flores nesse período).
Contraponto: há mais gente honesta nesse país do que supõe a nossa filosofia (eu não conheço ninguém que tenha se apossado de uma carteira perdida mas conheço muita gente que achou carteiras, exemplo simples, apenas). A estupenda maioria de cargos de confiança dos políticos e cargos comissionados (aqueles que não precisam de concurso) são ocupados por parentes de seus chefes (filhos, irmãos, esposas, genros, noras, cunhados e por aí vai), a lei proibiu o nepotismo e o que fizeram? Cruzaram as contratações, ou seja, Vossa Excelência contrata meu irmão e eu contrato vossa sobrinha.
Não que os políticos sejam os únicos a deturpar a lei, os advogados adoram fazer isso de maneiras tão únicas que seria impossível descreve-las aqui. Não que os advogados sejam os únicos a deturpar a lei, o país inteiro sonega ou sonegará o imposto de renda. O mesmo país que acorda as seis horas da madrugada para chegar a tempo no trabalho (que cada vez mais se torna temporário) e só vai parar as seis horas da tarde (caso não tenha hora-extra) quando enfrentará sistemas de transporte caóticos e mal administrados.
Dado: segundo meu tio, apenas 25% dos brasileiros comungam das mesmas idéias, crenças e objetivos, ou seja, somente 25% do país tem a mesma cabeça (no Japão esse número é de 80%, cos os alemães, na Alemanha de Hitler, esse número chegou a incríveis 90%). Então guris e gurias que visitam esse blog, esperem muitos e muitos mais contrapontos brasileiros nesse 2008.